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A Navalha de Ockam prova que Deus não existe?


A navalha de Ockham é um princípio lógico com autoria atribuída ao frade franciscano Guilherme de Ockham (ou “Occam”, segundo algumas grafias).  É descrito, de forma simplificada, como o “princípio da parcimônia” ou, em latim, Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (“Entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade” – a resposta mais simples é a melhor). É de uso de frequente na aplicação do método científico e, algumas vezes, neo-ateus tentam usar esse princípio para descartar a existência de Deus. Um exemplo da tentativa de aplicação pode ser vista abaixo:

1) A navalha de Ockham indica que devemos optar por não multiplicar causas (“explicação mais simples”).
2) O Universo existe.
4) A existência de uma causa primeira para o Universo (i.e. “Deus”)seria uma “adição” ao número de causas que conhecemos.
5) Logo, é desnecessário achar que há uma Causa Primeira para o Universo. Ele está aí e isso é tudo.
6) Logo, Deus, quase com certeza, não existe.

O raciocínio exposto, logicamente, não é válido e contém um erro CRASSO.

A navalha de Ockham é um princípio que propõe que não se multiplique ALÉM da necessidade, não para pararmos de fazer relações causais, como o do debatedor acima assinala. Da mesma forma que seria simplesmente absurdo se, por exemplo, encontrássemos uma estátua gigantesca no meio da Amazônia e resolvêssemos a questão dizendo: “Ok, temos a estátua, ela está aí e isso é tudo”. É claro que podemos avançar e construir um raciocínio como “A causa dessa estátua é ação de um grupo de humanos que vivia nesse local há algum tempo”. O uso exagerado seria “A causa dessa estátua é a ação de vários grupos humanos de várias localidades do planeta que, por algum acaso, estiveram todos aqui durante um breve período de tempo”. Por uma questão de simplicidade, a primeira hipótese levaria vantagem na elaboração da pesquisa (embora isso não seja, de forma definitiva, uma refutação para a segunda hipótese).

Para investigarmos se houve uma causa primeira para o Universo, temos que avaliar se as premissas que levam à conclusão são verdadeiras, não dizer “Não precisa e pronto”, o que constituiria uma aplicação falaciosa do princípio de Ockham.

O mau uso de conceitos como a navalha não chegam a surpreender, pois são consequências da popularização dessas idéias, como explica o site cético Projeto Ockham:

"Como todo princípio científico mal compreendido e vulgarizado pela repetição (E=mc2, entropia, caos, herança genética, etc), a Navalha de Ockham se tornou um bordão utilizado indevidamente por leigos e por céticos ansiosos demais em descartar explicações incomuns. (…) Sendo assim, o princípio da economia de Ockham se revela uma diretriz, não uma regra; uma indicação de qual caminho seguir, não um sentido obrigatório; ou seja, apenas bom senso sistematizado, que no fundo é tudo do que trata o método científico."

Conclusão
Não é uma técnica de uso frequente, mas, de qualquer maneira, é importante estar ciente dela. O método de refutação é explicar que a Navalha é um princípio de ordem prática para evitar a multiplicação desnecessária para uma hipótese, não que simplesmente devemos parar de procurar explicações para a existência de algo.

Fonte: 
Quebrando o encanto do neo-ateísmo

O Acaso



"Acaso" para Aristóteles e outros filósofos clássicos era apenas a interseção fortuita de duas ou mais linhas de causalidade. Nos tempos modernos, no entanto, o termo assumiu dois significados diferentes. Alguns vêem o acaso como a ausência de qualquer causa. Como Mortimer Adler afirmou, alguns interpretam o acaso como “o que acontece sem nenhuma causa — o absoluto espontâneo ou fortuito” (Sproul, xv).

Outros vêem o acaso como a grande causa, apesar de ser cega, e não-inteligente. Os naturalistas e materialistas geralmente falam dessa maneira. Por exemplo, desde David Hume, o argumento teleológico tem sido confrontado pela alternativa de que o universo resultou do acaso, não da criação inteligente. Apesar de o próprio Hume não tê-lo feito, alguns entenderam que isso significava que o universo foi causado pelo acaso, não por Deus.

O acaso, concebido ou pela falta de uma causa ou como a própria, causa, é incompatível com o teísmo. Enquanto o acaso reinar, Arthur Koestler observou,“Deus é um anacronismo” (ibid., p. 3). A existência do acaso tira Deus do seu trono cósmico. Deus e o acaso são mutuamente excludentes. Se o acaso existe, Deus não está no controle total do universo e não pode existir um Criador inteligente.

A definição da palavra acaso depende parcialmente da cosmovisão a emprega. Dois usos geralmente são confundidos quando falamos sobre a origem das coisas: acaso como probabilidade matemática e acaso como causa real. O primeiro é apenas abstrato. Quando um dado é jogado, as chances são de um em seis que dará o número seis. A probabilidade é de 1 em 36 que dê seis nos dois dados e 1 em 216 que dê três seis se jogarmos três dados. Essas são probabilidades matemáticas. Mas o acaso não fez que os três dados dessem seis. O que interferiu foi a força e o ângulo do lançamento, a posição inicial na mão, como os dados bateram contra objetos na sua trajetória e outros resultados da inércia. O acaso não teve influência sobre o processo. Como Sproul disse: “O acaso não tem o poder de fazer nada. Ele é cósmica, total e completamente impotente” (ibid., p. 6).

Para que ninguém pense que “viciamos” os dados ao citar um teísta, veja as palavras de Hume:

"O acaso, quando examinado estritamente,é apenas uma palavra negativa, e não significa qualquer poder real que tenha existência em qualquer parte’. [...] “Apesar de não haver acaso no mundo, nossa ignorância da causa real de qualquer evento tem a mesma influência na compreensão, e gera uma mesma espécie de crença ou opinião" (Hume, Seção 6).

Herbert Jaki, em God and the cosmologists (Deus e os cosmólogos), apresenta um capítulo penetrante intitulado “Dados viciados”. Ele se refere a Pierre Delbert, que disse: “O acaso aparece hoje como lei, a mais geral de todas as leis” (Delbert, p. 238).

Isso é mágica, não ciência. As leis científicas lidam com o regular, não o irregular (como o acaso é). E as leis da física não causam nada; apenas descrevem a maneira como as coisas acontecem regularmente no mundo como resultado de causas físicas. Da mesma forma, as leis da matemática não causam nada. Elas apenas insistem em que, se eu colocar 5 moedas no meu bolso direito e colocar mais 7, terei 12 moedas ali. As leis da matemática nunca colocaram uma moeda no bolso de ninguém.

O erro básico de fazer do acaso um poder causai foi bem colocado por Sproul: “1.O acaso não é uma entidade. 2. Não-entidades não têm poder porque não existem. 3. Dizer que algo acontece ou é causado pelo acaso é atribuir poder instrumental ao nada”. Mas é absurdo afirmar que nada produziu algo. O nada sequer existe e, logo, não tem poder para causar algo.

Nem todos os eventos do acaso acontecem por fenômenos naturais. Causas inteligentes podem iustapor-se ao “acaso”. Dois cientistas, trabalhando independentemente a partir de abordagens diferentes, fazem a mesma descoberta. Um ser racional enterra um tesouro. Outro o encontra por acaso ao cavar o alicerce de uma casa.

O que parece ser uma mistura aleatória não está necessariamente isento de propósito racional. Há um propósito racional por trás da criação de uma mistura aleatória de sequências numéricas num sorteio de loteria. Há um propósito racional para a mistura aleatória de dióxido de carbono que expelimos no ar à nossa volta; senão voltaríamos a respirá-lo e morreríamos de falta de ar. Nesse sentido, Deus, o Criador, e o acaso não são conceitos incompatíveis. Contudo, falar sobre a causa do acaso é absurdo.

Estritamente falando, o acaso não pode causar ou originar o Universo e a vida. Todo evento tem uma causa adequada. As escolhas são causas inteligentes ou causas não-inteligentes,causas naturais ou causas não- naturais. A única maneira de saber de qual delas se trata é pelo tipo de efeito produzido. Já que o universo manifesta criação inteligente, é razoável supor uma causa inteligente. O acaso ou a casualidade aparente (como a loteria ou a mistura de moléculas de ar) pode ser parte de um desígnio geral, inteligente, na criação.

Retirado do livro: "Enciclopédia de Apologética" - Norman Geisler - Editora Vida

Apolônio de Tiana e Jesus


Apolônio de Tiana, que nasceu no ano 2 a.C em Tiana de uma família rica. foi um filósofo neo-pitagórico e professor grego. Morreu na cidade de Éfeso no ano de 98 d.C. Apesar de ser um desconhecido nos dias atuais, seus pensamentos influenciaram a muitos.

Apolônio viajou muito, conheceu diversas culturas e religiões. Tinha uma vida tão secreta que nem mesmo seus próprios discípulos souberam muita coisa. Portanto, sobre sua história, muito é especulado. 

O nome de Apolônio de Tiana se encontra misturado ao de todos os personagens legendários que a imaginação dos homens está pronta a enfeitar com os atrativos do maravilhoso. A principal obra sobre sua história é a Vida de Apolônio do escritor grego Filóstrato. Alguns historiadores acreditam que ele seja o Apolo da Bíblia, citado no livro de Atos e nas cartas de São Paulo aos Corintios, o que é pouco provável de ser verdade.

Acredita -se que ele tenha feito coisas brilhantes, como milagres e ressurreições. Através desses feitos, muitas vezes ele é comparado a Jesus Cristo. Todos tratam ele como um grande sábio, um profeta ou um mago. Mas o que é verdade e o que é fábula sobre Apolônio?

Primeiramente, devemos saber que a historicidade de Apolônio é quase inegável, portanto, ele realmente existiu. Mas será que ele realmente fez o que Cristo fez? Bom, a obra principal sobre ele é tardia, data do começo do século III, ou seja, mais de um século após a morte dele. Sendo assim, diferente de Jesus (os evangelhos são de aproximadamente 25-30 anos após a morte de Cristo), os escritores não foram contemporâneos do protagonista e os fatos provavelmente sofreram alterações ao longo do tempo.

A obra de Filóstrato também tem traços característicos de ser um romance. Segundo alguns historiadores, o autor tentou esconder alguns traços da vida de Apolônio. E que traços seriam esses? Muito simples: Apolônio teria sido julgado como um mago do mal e Filóstrato tentou mostrar que ele fazia tudo aquilo por conta de sua virtude filosófica ou pela sua santidade. Filóstrato em sua obra também concentra-se muito em sua filosofia e não aparece haver indicações se seus milagres foram reais ou não.

Alguns argumentam que a história de Jesus é uma cópia de Apolônio. Tal afirmação não procede pois a história de Apolônio é escrita quase 150 anos após a de Jesus. E Filóstrato, como já disse, não foi contemporâneo do homem de Tiana.

O livro de Filóstrato é baseado em outra obra, o diário de Damis, um dos discípulos de Apolônio. Acontece que esse diário é cheio de erros históricos e geográficos, coisa que os evangelistas não fizeram. Além disso, devemos lembrar que Filóstrato foi pago para fazer sua obra, por Julia Domna, mãe do imperador Caracala que construiu um templo a Apolônio. Isso pode indicar que a obra é bastante tendenciosa.

Olhando as obras dos primeiros séculos de nossa era, é fácil notar que Apolônio era um homem virtuoso e de grande sabedoria. Os "Pais da Igreja" fizeram bastantes criticas a tentativa de comparar o cidadão de Tiana, como o Salvador do Mundo, coisa que muitos pagãos fazia.

Eusébio de Cesaréia por volta do ano 305, após Hiérocles tentar comparar Apolônio e Cristo, escreveu "Contra Hiérocles".  Eusébio diz que as obras de Apolônio são efeitos de magia e não são obras divinas.

Além disso, o pai da Igreja, diz as histórias são muito diferentes, visto que Jesus foi profetizado, graças a divina inspiração, por vários séculos e Apolônio não. Eusébio vai ainda mais longe dizendo que Apolônio não era nem um filósofo e por isso não poderia ser comparado a Cristo. Porém a principal argumentação de Eusébio é que não existem provas os suficientes das obras de Apolônio. Poucas obras falam do homem de Tiana, diferente de Jesus Cristo.

São João Crisóstomo escreve no século IV que Apolônio era um enganador e que suas obras são apenas ficção. Santo Agostinho também ridiculariza a comparação entre Jesus e Apolônio, porém diz que este último foi um grande sábio.

Alguns padres da Igreja falam de Apolônio como um homem muito bom e virtuoso, mas nunca o comparam a Cristo. Essa comparação é feita apenas por alguns que tentam desmistificar o Salvador e como já vimos, é apenas mais uma tentativa furada.

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"Vida e Obra de Apolônio de Tiana". Sociedade das ciências antigas. Disponível em: <http://www.sca.org.br/biografias/ApolonioTiana.pdf>

Eusebius of Caesarea: "Against Hierocles". Disponivel em: <http://www.tertullian.org/fathers/eusebius_against_hierocles.htm>

"Was the story of Jesus stolen from Apollonius of Tyana?". TEKTON. Disponivel em: <http://www.tektonics.org/copycat/apollonius.html>

"Apollonius of Tyana also did miracles. What about him?". CARM. Disponivel em <http://carm.org/apollonius-tyana-also-did-miracles-and-rose-what-about-him#footnote1_kkh0nud>

Por que o "Seminário de Jesus" não defende Jesus?



Muitos cristãos têm ficado perturbados recentemente diante de um grupo conhecido como o "Seminário de Jesus" (Jesus Seminar) que tem feito declarações bizarras com relação ao NT, lançando dúvidas sobre 82% daquilo que os evangelhos atribuem a Jesus. Um de seus membros, John Dominic Crossan, foi tão longe a ponto de negar a ressurreição, declarando que Jesus fora sepultado numa cova rasa, escavada por cães, e teve seu corpo comido por eles! Mas o assim chamado Seminário de Jesus não fala em favor do Jesus real. Existem, pelo menos, sete razões para essa conclusão.

O grupo errado. O Seminário de Jesus, criado em 1985, é composto por mais de 70 "estudiosos", em grande maioria, da ala radical. Alguns são ateus, e outros não são nem mesmo estudiosos (um deles é produtor de cinema). Robert Funk, ateu e fundador do grupo, reconheceu a natureza radical de sua obra quando afirmou: "Estamos pondo à prova aquilo que é mais sagrado para milhões e, por conseqüência, estaremos constantemente à beira da blasfêmia. Essa é uma revelação precisa.

A motivação errada. Como o próprio grupo admite, seu objetivo é criar um novo Jesus "fictício", o que envolve a desconstrução da antiga imagem de Jesus nos evangelhos e a reconstrução de uma que atenda ao homem moderno. Em vista disso, ninguém deveria olhar para sua obra em busca do Jesus real. Eles estão fazendo um Jesus à sua própria imagem. Além disso, sua obra está manchada pela declarada busca de publicidade. Eles admitiram: "Vamos tentar realizar nossa obra à vista de todos. Não apenas vamos honrar a liberdade de informação, mas também insistiremos na revelação pública de nossa obra'. Sendo mais claro, o Seminário de Jesus procurou publicidade desde o início. Uma coletiva de TV; diversos artigos, entrevistas na imprensa, fitas e até mesmo um possível filme são indicações adicionais de seu objetivo mercadológico.

O procedimento errado. Seu procedimento é preconceituoso, tentando determinar a verdade pelo voto da maioria. Esse método não é melhor hoje do que quando a maioria das pessoas acreditava que a Terra era quadrada. Ter 70 "estudiosos" consideravelmente radicais votando sobre aquilo que Jesus disse é o mesmo que dar aos 100 deputados mais liberais do Congresso a chance de votar a favor da elevação dos impostos!

Os livros errados. A alternativa do Seminário de Jesus baseia-se, em parte, em um hipotético "Evangelho de Q" [do alemão Quelle, que significa fonte] e em um Evangelho de Tomé, do século lI, escrito por hereges gnósticos. Além de tudo isso, o Seminário apela para um não existente Marcos secreto. O resultado é que o Evangelho de Tomé, apócrifo e do século lI, é considerado mais autêntico do que Marcos e João, mais antigos.

As pressuposições erradas. Suas conclusões estão baseadas em pressuposições radicais, uma das quais é a sua injustificada rejeição aos milagres. Se Deus existe, então os milagres são possíveis. Conseqüentemente, qualquer rejeição, a priori, aos milagres é uma rejeição à existência de Deus. À luz de seu ateísmo implícito, não seria de surpreender que eles rejeitem o Jesus dos evangelhos. Além disso, suas conclusões estão baseadas na pressuposição infundada de que o cristianismo foi influenciado por religiões de mistério. Mas isso não poderia ter acontecido pois os autores monoteístas judaicos das Escrituras não teriam usado fontes pagãs politeístas e não poderiam depender de fontes posteriores ao seu tempo.

As datas erradas. Eles postulam datas posteriores injustificadas para os quatro evangelhos (provavelmente entre os anos 70 e 100 d.C). Ao fazerem isso, acreditam que são capazes de criar tempo suficiente para concluir que o Novo Testamento é composto por mitos sobre Jesus. O Novo Testamento, porém, é antigo e contém fonte de material ainda mais antiga.

As conclusões erradas. Destruída a base para o Jesus real dos evangelhos, o Seminário de Jesus não tem um acordo real sobre quem Jesus realmente foi: um cínico, um sábio, um reformador judeu, um feminista, um mestre-profeta, um profeta social radical ou um profeta escatológico. Não há surpresa em considerar-se que alguma coisa feita pelo grupo errado, que faz uso do procedimento errado, baseada nos livros errados, fundamentada em pressuposições erradas e que emprega as datas erradas chegue à conclusão errada!

Retirado do Livro "Não tenho fé o suficiente para ser ateu" de Norman Geisler e Frank Turek

Falácia do King Kong? Isso existe?

Através da arqueologia e da história pessoas que viveram no tempo de Jesus (como Pilatos, Herodes, Caifás, etc) já foram confirmadas como históricas. Mas como sempre, os céticos dizem que isso não prova nada, pois mesmo que essas pessoas tenham existido, não provam que Jesus realmente foi real e que fez o que está escrito na Bíblia. Eles chamam isso de A Falácia do King Kong. Por que? Eles dizem o seguinte: Sabemos que o Empire State existe, logo o King Kong também existe e subiu nele.


É claro que esse é mais uma justificativa desesperada dos céticos a luz das descobertas e das provas de que a Bíblia e Jesus são verdadeiros. Antes de ser confirmada a historicidade de Pilatos, por exemplo, todos diziam que tal governador nunca havia existido, mas depois da descoberta, todos se calaram.

Os críticos usam a falácia da seguinte forma: Apesar das pessoas contemporâneas de Jesus terem existido, isso não prova que Jesus tenha existido e muito menos que ele era o que está escrito na Bíblia. Os evangelistas poderiam ter feito uma espécie de "romance histórico", ou seja, uma ficção ambientada num contexto real, alguma coisa parecida com um romance de Tom Clancy.

Acontece que existem muitos problemas com essa teoria. Ela não pode explicar por exemplo por que os autores do Novo Testamento passaram por perseguição, tortura e morte. Por que eles teriam feito isso em favor de uma ficção?

Os romancistas históricos normalmente não usam nomes de pessoas reais para as personagens principais de suas histórias. Se o fizessem, essas pessoas reais — especialmente oficiais de grande importância do governo e da religião — poderiam negar a história, destruindo a credibilidade dos autores e, talvez, até mesmo usando de ações punitivas contra eles por terem feito isso. 

Ela também não pode explicar por que escritores independentes não-cristãos revelam coletivamente uma seqüência de fatos similar aos do Novo Testamento. Se os acontecimentos do Novo Testamento são ficção, por que esses escritores registrariam alguns desses fatos como se realmente tivessem acontecido? 

Por fim, uma vez que o Novo Testamento contém múltiplos relatos independentes desses acontecimentos, feitos por nove autores diferentes, a teoria do romance histórico exigiria uma grande conspiração por um período variando de 20 a 50 anos entre esses nove autores espalhados por todo o mundo antigo. Isso também não é plausível. De fato, a afirmação de que os acontecimentos do Novo Testamento são parte de uma grande conspiração existe apenas em romances. No mundo real, tais afirmações são esmagadas pelo peso das evidências. 

Os evangelistas não eram confiáveis? - Parte 2

Já vimos na primeira parte que São Lucas, o evangelista que os céticos atacaram, era sim de confiança e mostramos provas para isso. Mas e os outros evangelistas? Marcos, Mateus e João eram confiáveis?


Antes de começarmos, alguém pode dizer: Espere! Não devemos confiar nos evangelistas, visto que eles eram convertidos. Bem, o que há de errado com essa lógica? O que há de errado com a lógica é que deixa de fazer a pergunta mais importante: Por que eles se converteram? Os céticos respondem: "Mas, uma vez que os autores do Novo Testamento eram convertidos, eles não podem ser objetivos". Absurdo. As pessoas podem ser objetivas mesmo que não sejam neutras. Um médico pode fornecer um diagnóstico objetivo mesmo que tenha uma grande afeição pelo paciente. Ou seja, pode ser objetivo embora não seja neutro. O fato é que sua paixão pelo paciente pode fazê-lo ser ainda mais diligente ao diagnosticar e tratar a doença de maneira adequada.

A verdade sobre essa questão é que tudo é escrito por uma razão, e a maioria dos autores acredita naquilo que está escrevendo! Mas isso não significa que aquilo que eles escrevem seja errado ou não possua um elemento objetivo.  

Bem, se Lucas foi um historiador confiável então Marcos e Mateus também são, por quê? Pois Mateus, Marcos e Lucas descrevem praticamente a mesma história basica, com apenas algumas diferenças. Assim o que Mateus e Marcos escreveram também é verdade, visto que Lucas escreveu a verdade. Isso é devastador para os céticos, mas a lógica é inevitável.

Mas e João? O Evangelho de São João, sem dúvidas, é o mais atacado pelos céticos, pois ele não se preocupa com a história mas sim em mostrar a divindade de Cristo. Por isso alguns dizem que o Evangelho de João não é confiável. Mas o que as evidências dizem?

Uma vez que João descreve fatos restritos à terra santa, seu evangelho não contém tantos itens geográficos, topográficos e políticos como Lucas fez em seu evangelho e em Atos. Todavia, como estamos prestes a ver, uma quantidade bastante grande de detalhes historicamente confirmados ou historicamente prováveis estão contidos no evangelho de João. Muitos desses detalhes foram confirmados como históricos por arqueólogos e escritores não-cristãos, e alguns deles são historicamente prováveis porque muito dificilmente seriam invenções de um escritor cristão. Esses detalhes iniciam-se no segundo capítulo de João e compõem a lista a seguir:

1.A arqueologia confirmou o uso de jarros de água feitos de pedra nos tempos do Novo Testamento (Jo 2.6);

2.Dada a antiga tendência cristã ao ascetismo, é muito pouco provável que o milagre do vinho seja uma invenção (2.8);

3.A arqueologia confirma o lugar correto do poço de Jacó (4.6);

4.Josefo em seu livro História da guerra judaica (2.232) confirma que havia hostilidade significativa entre judeus e samaritanos durante os tempos de Jesus (4.9);

5.O termo "desce" (RA e RC) descreve com precisão a topografia da Galiléia ocidental (existe uma queda significativa da elevação de Caná para Cafarnaum; 4.46,49,51);¹

6.O termo "subiu" descreve perfeitamente a subida a Jerusalém (5.1);

7.A arqueologia confirma a correta localização e a descrição de cinco entradas no tanque de Betesda (5.2). Escavações realizadas entre 1914 e 1938 revelaram o tanque, e ele era exatamente como João o havia descrito. Uma vez que essa estrutura não mais existia depois de os romanos terem destruído a cidade no ano 70 d.e, é improvável que qualquer outra testemunha não ocular pudesse tê-lo descrito com tal nível de detalhes. Além do mais, João diz que essa estrutura "está" ou "existe" em Jerusalém, implicando que está escrevendo antes do ano 70;

8.É improvável que o fato de o próprio testemunho de Jesus não ser válido sem o Pai seja uma invenção cristã (5.31); o redator posterior desejaria muito destacar a divindade de Jesus e provavelmente faria que seu testemunho fosse autenticado por si mesmo;

9.O fato de as multidões quererem fazer Jesus rei reflete o bastante conhecido fervor nacionalista de Israel do século I (6.15);

10.Tempestades repentinas e severas são comuns no mar da Galiléia (6.18);

11.A ordem de Cristo para que comessem sua carne e bebessem seu sangue não seria inventada (6.53);

12.É improvável que a rejeição a Jesus por parte de muitos de seus discípulos também seja uma invenção (6.66);

13.As duas opiniões predominantes sobre Jesus — uma de que ele é "um bom homem" e outra de que ele "está enganando o povo" — não seriam as duas opções que João escolheria se estivesse inventando fuma história (7.12); um escritor cristão posterior provavelmente teria inserido a opinião de que Jesus era Deus;

14.É improvável que a acusação de Jesus estar possuído por demônios seja uma invenção (7.20);

15.O uso do termo "samaritano" para ofender Jesus encaixa-se na hostilidade entre judeus e samaritanos (8.48);

16.É improvável que o desejo dos judeus que haviam crido nele de apedrejá-lo seja uma invenção (8.31,59);

17.A arqueologia confirma a existência e a localização do tanque de Siloé (9.7);

18.Ser expulso da sinagoga pelos fariseus era um temor legítimo dos judeus. Perceba que o homem curado professa sua fé em Jesus somente depois de ter sido expulso da sinagoga pelos fariseus (9.13-39), momento em que ele não tinha mais nada a perder. Isso transpira autenticidade;

19.O fato de o homem curado chamar Jesus de "profeta', e não outra designação mais elevada, sugere que o incidente é uma história sem retoques (9.17);

20.Durante uma festa no inverno, Jesus caminhou pelo Pórtico de Salomão, que era o único lado da área do templo protegido do vento frio vindo do leste durante o inverno (10.22,23); essa área é mencionada diversas vezes por Josefo;

21.Três quilômetros (15 estádios) é a distância exata entre Betânia e Jerusalém (11.18);

22.Devido à animosidade posterior entre cristãos e judeus, é improvável que a descrição de que os judeus confortaram Marta e Maria seja uma invenção (11.19);

23.Os panos usados para sepultar Lázaro eram comuns nos sepultamentos judaicos do século I (11.44); é improvável que um autor ficcional incluísse esse detalhe irrelevante no aspecto teológico;

24.A descrição precisa da composição do Sinédrio (11.47): durante o ministério de Jesus, ele era composto basicamente pelos principais sacerdotes (em grande parte saduceus) e pelos fariseus;

25.Caifás realmente era o sumo sacerdote naquele ano (11.49); aprendemos com Josefo que Caifás permaneceu no ofício entre 18 e 37 d.C.;

26.A pequena e obscura vila de Efraim (11.54), perto de Jerusalém, é mencionada por Josefo;

27.A limpeza cerimonial era comum na preparação para a Páscoa (11.55);

28.Às vezes os pés de um convidado especial eram ungidos com perfume ou óleo na cultura judaica (12.3); é improvável que o ato de Maria em secar os pés de Jesus com os cabelos seja uma invenção (isso poderia facilmente ter sido visto como uma provocação sexual);

29.A agitação de ramos de palmeiras era uma prática judaica comum para celebrar as vitórias militares e dar boas-vindas aos governantes nacionais (12.13);

30.A lavagem dos pés na Palestina do século I era necessária por causa da poeira e dos calçados abertos. É improvável que o relato de Jesus executando essa tarefa tão servil seja uma invenção (essa é uma tarefa que nem mesmo os escravos judeus eram obrigados a fazer) (13.4); a insistência de Pedro para que recebesse um banho completo também se encaixa com sua personalidade impulsiva (certamente não havia propósito em inventar esse pedido);

31.Pedro faz um sinal a João para que este faça uma pergunta a Jesus (13.24); não há razão para inserir esse detalhe se ele fosse uma ficção, pois o próprio Pedro poderia ter feito a pergunta diretamente a Jesus;

32.É improvável que a frase "o Pai é maior do que eu" seja uma invenção (14.28), especialmente se João quisesse produzir a divindade de Cristo (como os críticos afirmam que ele fez);

33.O uso de vinho como uma metáfora tem sentido em Jerusalém (15.1); os vinhedos estavam na proximidade do templo, e, de acordo com Josefo, os portões do templo tinham uma vinha dourada entalhada neles;

34.O uso da metáfora do nascimento de uma criança (16.21) é plenamente judaico; foi encontrado nos Manuscritos do mar Morto (lQH 11.9,10);

35.A postura-padrão judaica para as orações era olhar "para o céu" (17.1);

36.A confirmação de Jesus de que suas palavras vieram do Pai (17.7,8) não seria incluída se João estivesse inventando a idéia de que Jesus era Deus;

37.Nenhuma referência específica a uma passagem das Escrituras já cumprida é dada no que se refere à predição da traição de Judas; um escritor ficcional ou um redator cristão posterior provavelmente teria identificado os textos do Antigo Testamento aos quais Jesus estava se referindo (17.12);

38.É improvável que o nome do servo do sumo sacerdote (Malco) que teve sua orelha cortada seja uma invenção (18.10);

39.A correta identificação do sogro de Caifás, Anás, que foi o sumo sacerdote entre os anos 6 e 15 d. e. (18.13) — o comparecimento diante de Anás é crível por causa da ligação familiar e do fato de que os ex-sumos sacerdotes preservavam uma grande influência;

40.A afirmação de João de que o sumo sacerdote o conhecia (18.15) parece histórica; a invenção dessa afirmação não serve a propósito algum e exporia João a ser desacreditado pelas autoridades judaicas;

41.As perguntas de Anás em relação aos ensinamentos e aos discípulos de Jesus fazem sentido no aspecto histórico; Anás estaria preocupado com a possibilidade de um tumulto civil e uma diminuição da autoridade religiosa judaica (18.19);

42.A identificação de um parente de Malco (o servo do sumo sacerdote que teve sua orelha cortada) é um detalhe que João não teria inventado (18.26); ele não tem nenhuma importância teológica e apenas poderia afetar a credibilidade de João se estivesse tentando fazer uma ficção se passar por verdade;

43.Existem boas razões históricas para acreditar na relutância de Pilatos de lidar com Jesus (18.285): Pilatos precisava equilibrar-se numa linha muito tênue, mantendo felizes tanto os judeus quanto Roma; qualquer perturbação civil poderia custar-lhe a posição (os judeus sabiam de suas preocupações com uma competição quando o desafiaram, dizendo: "Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei opõe-se a César", (19.12); o filósofo judeu Fílon registra que os judeus fizeram uma pressão bem-sucedida sobre Pilatos de maneira similar para que tivessem suas exigências satisfeitas (A Caio 38.301,302);

44.Uma superfície similar ao Pavimento de Pedra foi identificada próxima da fortaleza de Antônia (19.13) com marcas que podem indicar que os soldados entretinham-se ali com jogos (como no caso de tirar sortes para decidir quem ficaria com as roupas de Jesus em 19.24);

45.O fato de os judeus exclamarem "Não temos rei, senão César" (19.15) não seria inventado, dado o ódio judaico pelos romanos, especialmente se o evangelho de João tivesse sido escrito depois do ano 70 d.C. (isso seria o mesmo que os moradores de Nova York de hoje proclamarem "Não temos rei, senão Osama bin Laden!");

46.A crucificação de Jesus (19.17-30) é atestada por fontes não-cristãs como Josefo, Tácito, Luciano e o talmude judaico;

47.As vítimas de crucificação normalmente levavam sua própria travessa  (19.17);

48.Josefo confirma que a crucificação era uma técnica de execução empregada pelos romanos (História da guerra judaica 1.97; 2.305; 7.203); além disso, um osso do tornozelo de um homem crucificado, perfurado por um prego, foi encontrado em Jerusalém em 1968;

49.É provável que a execução tenha acontecido fora da antiga Jerusalém, como diz João (19.17); isso garantiria que a cidade sagrada judaica não fosse profanada pela presença de um corpo morto (Dt 21.23);

50.Depois de a lança ter perfurado o lado de Jesus, saiu aquilo que parecia ser sangue e água (19.34). Hoje sabemos que a pessoa crucificada pode ter uma concentração de fluidos aquosos na bolsa que envolve o coração, chamada de pericárdio. ² João não saberia dessa condição médica e não poderia ter registrado esse fenômeno a não ser que tivesse sido testemunha ocular dele ou tivesse acesso ao depoimento de uma testemunha ocular;

51.É improvável que José de Arimatéia (19.38), o membro do Sinédrio que sepultou Jesus, seja uma invenção;

52.Josefo em seu livro Antiguidades judaicas (17.199) confirma que especiarias (19.39) eram usadas em sepultamentos reais. Esse detalhe mostra que Nicodemos não estava esperando que Jesus ressuscitasse dos mortos e também demonstra que João não estava inserindo fé cristã posterior em seu texto;

53.Maria Madalena (20.1), uma mulher que fora possuída por demônios (Lc 8.2), não seria inventada como a primeira testemunha do túmulo vazio. O fato é que as mulheres em geral não seriam apresentadas como testemunhas numa história inventada;

54.O fato de Maria confundir Jesus com um jardineiro (20.15) não é um detalhe que um escritor posterior teria inventado (especialmente um escritor buscando exaltar Jesus);

55."Rabôni" (20.16), o termo aramaico para "mestre", parece um detalhe autêntico porque é outra improvável invenção para um escritor tentando exaltar o Jesus ressurreto;

56.O fato de Jesus afirmar que ele está voltando "para meu Pai e Pai de vocês" (20.17) não se encaixa com um escritor posterior inclinado a criar a idéia de que Jesus era Deus;

57.O total de 153 peixes (21.11) é um detalhe teologicamente irrelevante, mas perfeitamente coerente com a tendência dos pescadores de quererem registrar e depois se gabar de suas grandes pescarias;

58.O medo dos discípulos de perguntarem a Jesus quem ele era (21.12) é uma trama improvável. Ele demonstra a natural surpresa humana diante do Cristo ressurreto e talvez o fato de que havia alguma coisa diferente em relação a seu corpo ressurreto;

59.A enigmática declaração de Jesus sobre o destino de Pedro não é clara o suficiente para tirar-se dela certas conclusões teológicas (21.18); então, por que João a inventaria? Isso é outra invenção improvável.

Quando reunimos esses quase 60 detalhes historicamente confirmados e historicamente prováveis, existe alguma dúvida de que João tenha sido confiávelCraig Blomberg fez um estudo detalhado do evangelho de João e em sua obra chamada The Historical Reliability of John's Gospel (A confiabilidade histórica do evangelho de João) examina o evangelho de João versículo por versículo e identifica uma enorme quantidade de detalhes históricos.

Portanto achar que os evangelistas não eram confiáveis requer muita fé, pois vai contra todas as evidências. De fato, descobrimos mais de 140 detalhes que parecem ser autênticos, a maioria dos quais tendo confirmação histórica e alguns deles sendo historicamente plausíveis. Se investigarmos outros documentos do Novo Testamento , provavelmente encontraremos mais fatos históricos. Existem, porém, ainda mais evidências de historicidade. Os autores do Novo Testamento colocaram marcos históricos em seus relatos ao referirem-se a personagens históricas reais e aos seus feitos. Ao todo, existem pelo menos 30 personagens no Novo Testamento que foram confirmadas como históricas pela arqueologia ou por fontes não-cristãs. Mateus, por exemplo, menciona personagens históricas confirmadas independentemente, dentre as quais Herodes, o Grande (Mt 2.3), e seus três filhos: Arquelau (2.22), Herodes Filipe (14.3) e Herodes Antipas (14.1-11).³ Alguém ainda duvida que os evangelistas eram confiáveis?
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¹ - BARNETT,Is The New Testament Reliable?, p. 62.
² - William D. EOWARDS, Wesley J. GABEL, Floyd E. HOSMER, "On the Physical Death of Jesus Chtist" ,Journal of the American Medical Association 255, n. 11 (March 21, 1986): 1455-63.
³ - Norman GEISLER & Frank TUREK. Não tenho fé o suficiente para ser ateu p.200

Os evangelistas não eram confiáveis? - Parte 1

Um blog cético, que além de cético, é anti-cristão, tentou enganar as pessoas de que os evangelistas não eram historiadores confiáveis. Mas o texto nem é de autoria deles, eles apenas copiaram. O texto é do historiador e defensor do ateísmo Richard Carrier. Basicamente, o texto ataca São Lucas, dizendo que ele queria apenas promover Jesus.


Em primeiro lugar, o autor do texto esqueceu de dizer que Lucas não era historiador e sim médico, portanto seu texto não tinha nenhuma obrigação de ser a melhor de todos os tempos. Mas mesmo não sendo um historiador profissional, São Lucas merece uma nota 10 em seus textos. (São Lucas além do seu evangelho, também escreveu o livro dos Atos dos Apóstolos.)

Tomemos para estudo o segundo livro. Na segunda metade do livro de Atos dos Apóstolos, por exemplo, Lucas mostra um incrível agrupamento de conhecimento de locais, nomes, condições ambientais, costumes e circunstâncias condizentes com o depoimento de uma testemunha ocular contemporânea da época e dos acontecimentos.

Colin Hemer, estudioso clássico e historiador, faz uma crônica versículo por versículo da precisão de Lucas no livro de Atos. Com esmerado detalhamento, Hemer identifica 84 fatos nos últimos 16 capítulos de Atos que foram confirmados por pesquisa histórica e arqueológica.¹ Ao ler a lista a seguir, tenha em mente que Lucas não tinha acesso aos mapas ou às cartas náuticas modernos. Lucas registra com precisão:

1.A travessia natural entre portos citados corretamente (At 13.4,5);
2.O porto correto (Perge) juntamente com o destino correto de um navio
que vinha de Chipre (13.13);
3.A localização correta da Licaônia (14.6);
4.A declinação incomum mas correta do nome Listra (14.6);
5.O registro correto da linguagem falada em Listra — a língua licaônica (14.11);
6.Dois deuses conhecidos por serem muito próximos — Zeus e Hermes (14.12);
7.O porto correto, Atália, que os viajantes usavam na volta (14.25);
8.A ordem correta de chegada, a Derbe e depois a Listra, para quem vem da Cilícia (16.1; cf. 15.41);
9.A grafia correta do nome Trôade (16.8);
10.O lugar de um famoso marco para os marinheiros, a Samotrácia (16.11);
11.A correta descrição de Filipos como colônia romana (16.12);
12.A correta localização de um rio (Gangites) próximo a Filipos (16.13);
13.A correta associação de Tiatira a um centro de tingimento (16.14);
14.A designação correta dos magistrados da colônia (16.22);
15.A correta localização (Anfípolis e Apolônia) onde os viajantes costumavam passar diversas noites seguidas em sua jornada (17.1);
16.A presença de uma sinagoga em Tessalônica (17.1);
17.O termo correto ("politarches") usado em referência aos magistrados do lugar (17.6);
18.A correta implicação de que a viagem marítima é a maneira mais conveniente de chegar a Atenas, favorecida pelos ventos do leste na navegação de verão (17.14,15);
19.A presença abundante de imagens em Atenas (17.16);
20.A referência a uma sinagoga em Atenas (17.17);
21.A descrição da vida ateniense com debates filosóficos na Agora (17.17);
22.O uso da palavra correta na linguagem ateniense para Paulo (spermagos, 17.18), assim como para a corte (Areios pagos, 17.19);
23.A correta representação do costume ateniense (17.21);
24.Um altar ao "deus desconhecido" (17.23);
25.A correta reação dos filósofos gregos, que negavam a ressurreição do corpo (17.32);
26.Areopagíta (RA e RC) como o título correto para um membro da corte (17.34);
27.Uma sinagoga em Corinto (18.4);
28.A correta designação de Gálio como procônsul, residente em Corinto (18.12);
29.O termo bema (tribunal), superior ao forum de Corinto (18.16s);
30.O nome Tirano, conforme atestado em inscrições do século I em Éfeso (19.9);
31.Conhecidos relicários e imagens de Ártemis (19.24);
32.A muito confirmada "grande deusa Ártemis" (19.27);
33.Que o teatro de Éfeso era um local de grandes encontros da cidade (19.29);
34.O título correto grammateus para o principal magistrado (escrivão) de Éfeso (19.35);
35.O correto título de honta neokoros, autorizado pelos romanos (19.35);
36.O nome correto para designar a deusa (19.37);
37.O termo correto para aquele tribunal (19.38);
38.O uso do plural anthupatoí (procônsules), talvez uma notável referência ao fato de que dois homens estavam exercendo em conjunto a função de procônsul naquela época (19.38);
39.A assembléia "regular", cuja frase precisa é atestada em outros lugares
(19.39);
40.O uso de designação étnica precisa, beroíaios (20.4);
41.O uso do termo étnico asíanos (20.4);
42.O reconhecimento implícito da importância estratégica atribuída à cidade de Trôade (20.7s);
43.O período da viagem costeira naquela região (20.13);
44.A seqüência correta de lugares (20.14,15);
45.O nome correto da cidade como um plural neutro (Patara) (21.1);
46.O caminho correto passando pelo mar aberto, ao sul de Chipre, favorecido pelos fortes ventos noroeste (21.3);
47.A correta distância entre essas cidades (21.8);
48.Um ato de piedade caracteristicamente judeu (21.24);
49.A lei judaica considerando o uso que os gentios faziam da área do templo (21.28. Descobertas arqueológicas e citações de Josefo confirmam que os gentios poderiam ser executados por entrarem na área do templo. Em uma dessas descrições, pode-se ler: "Que nenhum gentio passe para dentro da balaustrada e do muro que cerca o santuário. Todo aquele que for pego será pessoalmente responsável por sua conseqüente execução".); ²
50.A presença permanente de uma coorte romana (chiliarch) em Antônia para reprimir qualquer perturbação na época das festas (21.31);
51.O lance de escadas usado pelos soldados (21.31,35);
52.A maneira comum de obter-se a cidadania romana naquela época (22.28);
53.O tribunal ficando impressionado com a cidadania romana, em vez da tarsiana (22.29);
54.Ananias como sumo sacerdote daquela época (23.2);
55.Félix como governador daquela época (23.34);
56.O ponto de parada natural no caminho para Cesaréia (23.31);
57.Em qual jurisdição estava a Cilícia naquela época (23.34);
58.O procedimento penal da província naquela época (24.1-9);
59.O nome Pórcio Festo, que concorda perfeitamente com o nome dado por Josefo (24.27);
60.O direito de apelação dos cidadãos romanos (25.11);
61.A fórmula legal correta (25.18);
62.A forma característica de referência ao imperador daquela época (25.26);
63.A melhor rota marítima da época (27.5);
64.A ligação entre Cilícia e Panfília (27.5);
65.O principal porto para se encontrar um navio em viagem para a Itália (27.5,6);
66.A lenta passagem para Cnido, diante dos típicos ventos noroeste (27.7);
67.A rota correta para navegar, em função dos ventos (27.7);
68.A localização de Bons Portos, perto da cidade de Laséia (27.8);
69.Bons Portos não era um bom lugar para permanecer (27.12);
70.Uma clara tendência de um vento sul daquela região transformar-se repentinamente num violento nordeste, muito conhecido e chamado gregale (27.13);
71.A natureza de um antigo navio de velas redondas que não tinha opção, senão ser conduzido a favor da tempestade (27.15);
72.A localização precisa e o nome desta ilha (27.16);
73.As manobras adequadas para a segurança do navio nesta situação em particular (27.16);
74.A 14ª noite — um cálculo notável, baseado inevitavelmente numa composição de estimativas e probabilidades, confirmada pela avaliação de navegantes experientes do Mediterrâneo (27.27);
75.O termo correto de tempo no Adriático (27.27);
76.O termo preciso (bosílantes) para captar sons e calcular a profundidade correta do mar perto de Malta (27.28);
77.Uma posição que se encaixa na provável linha de abordagem de um navio liberado para ser levado pelo vento do leste (27.39);
78.A severa responsabilidade dos guardas em impedir que um preso fugisse (27.42);
79.O povo local e as superstições da época (28.4-6);
80.O título correto protos tes nesou (28.7);
81.Régio como um refúgio para aguardar um vento sul para que pudessem passar pelo estreito (28.13);
82.Praça de Ápio e Três Vendas corretamente definidos como locais de parada da Via Ápia (28.15);
83.Forma correta de custódia por parte dos soldados romanos (28.16);
84.Condições de aprisionamento, vivendo "na casa que havia alugado" (28.30,31).

Alguém mais duvida que Lucas realmente foi um ótimo historiador? Existe alguma dúvida de que Lucas tenha sido testemunha ocular desses acontecimentos ou que pelo menos tenha tido acesso ao depoimento confiável de testemunhas oculares? O que mais ele poderia ter feito para provar sua autenticidade como historiador? O historiador romano A. N. Sherwin-White diz: "Quanto ao livro de Atos, a confirmação de sua historicidade é impressionante (...). Qualquer tentativa de rejeitar sua historicidade básica só pode ser considerada absurda. Historiadores romanos já desprezaram o livro por muito tempo". ³ Mas o que mais incomoda o céticos, e que este mesmo livro que tem 84 detalhes historicamente confirmados, também registra muitos milagres. Por que Lucas seria tão preciso com detalhes como direção do vento, profundidade da água e nomes peculiares de cidades, mas não seria tão preciso quando se referisse a fatos importantes como os milagres?

Mas deveríamos esperar a mesma precisão do Evangelho de Lucas? Por que não? De fato, Lucas diz exatamente isso quando escreve "Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo" (Lc 1.3). Na verdade existem vários detalhes do evangelho de Lucas que foram verificados independentemente. Por exemplo: Lucas cita 11 nomes historicamente confirmados apenas nos primeiros três capítulos de seu evangelho (12 se você incluir Jesus). Outro detalhe historicamente preciso pode ser encontrado em Lucas 22.44.

É nesse trecho que Lucas registra que Jesus estava em agonia e que suou gotas de sangue na noite anterior à sua crucificação. Aparentemente, Jesus estava experimentando uma rara condição induzida pelo estresse que conhecemos hoje como hematoidrose. É quando pequenos vasos sanguíneos rompem-se devido ao estresse extremo, fazendo assim o sangue misturar-se ao suor. Uma vez que é muito provável que Lucas não conhecesse essa condição médica 2 mil anos atrás, não poderia ter registrado esse acontecimento a não ser que tivesse acesso a alguém que o tivesse presenciado. Detalhes como esse levaram William Ramsay a dizer: ''A história de Lucas é incomparável com respeito à sua fidedignidade" e "Lucas é um historiador de primeira linha (...). Ele deveria ser colocado juntamente com os grandes historiadores". O resumo é que Lucas é digno de confiança.

Já vimos que a afirmação do autor cético de que Lucas não foi um historiador confiável é incompatível com as evidências. Mas e os outros evangelistas? Eram confiáveis? Confira na Parte 2!
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¹ - V. Colin J. HEMER, The Book o/ Acts in the Setting o/ Hellenistic History (Winona Lake, Ind.:
Eisenbrauns,1990).
² - A ameaça de morre estendia-se até mesmo aos romanos. V Paul MAlER, In the Fullness of Time (Grand Rapids, Mich.: Kregel, 1991), p. 305.
³Roman Society and Roman Law in the New Testament. Oxford: Clarendon, 1963, p. 189.
4 -  Norman GEISLER & Frank TUREK. Não tenho fé suficiente para ser ateu